Ferramentas de Investigação Técnica (FIT) na Engenharia Diagnóstica (ED)

Nada é permanente Exceto a mudança Heráclito.  As ferramentas de investigação técnica (FIT) mais tradicionais da ED são aquelas utilizadas da maioria dos laudos dos peritos judiciais, representadas pela vistoria e perícia, e dos pareceres dos peritos em construção civil, ou seja, a inspeção e a auditoria. Essas quatro ferramentas, quase sempre, possibilitam obter resultados esperados.

 

A difusão da engenharia diagnóstica pelo mundo e a importância em nosso país com a entrada em vigor da 1ª Norma de Inspeção Predial da ABNT/NBR nº 16.747/2020.

A Engenharia Diagnóstica, matéria tão debatida na atualidade em razão de se tratar de uma nova doutrina, condição não raramente circundada de resistência pelos profissionais mais conservadores, possui seguidores Mundo afora.

Embora na qualidade de coautor do livro Engenharia Diagnóstica em Edificações, minha obrigação, antes da sua publicação, seria a de naturalmente investigar a existência do tema além das nossas fronteiras, mas que graças as atuais discussões sobre a doutrina no meio técnico e a crescente divulgação e sucesso do tema em todo o Brasil, fomos agora obrigados a pesquisar o tema de forma mais ampla e, para nossa admiração e confirmação da importância da Engenharia Diagnóstica para melhoria dos processos de produção e de manutenção em todas as áreas da engenharia, soubemos que a Engenharia Diagnóstica possui institutos, associações, empresas e cursos ministrados na Europa, Estados Unidos e demais centros desenvolvidos em todo o Mundo, tal como o INSTITUTION OF DIAGNOSTIC ENGINEERS, fundado há mais de 30 anos no Reino Unido ou da BUILDING DIAGNOSTIC INC., empresa localizada no Texas – USA há cerca de 20 anos, tendo como associados a AMERICAM CONCRETE INSTITUTE, A AMERICAN INSTITUTE OF STEEL CONSTRUCTION, a AMERICAN SOCIETY OF CIVIL ENGENEERS, a ASTM INTERNATIONAL, além de outras importantes associações e institutos de tecnologia da Construção Civil.

Para a nossa realidade, a Engenharia Diagnóstica em Edificações, também idealizada pelo engenheiro Tito Gomide, com a colaboração técnica do engenheiro Jerônimo Cabral P. Fagundes Neto (coautores do LIVRO VERMELHO, denominação criada pelos alunos e técnicos nas diversas capitais do país), pretende nortear os profissionais e os contratantes quanto ao tipo mais adequado de prestação de serviço diagnóstico em engenharia construtiva, conforme o escopo e objetivo da prestação de serviço, orientação de suma importância inclusive na esfera administrativa amigável, procurando-se evitar que as partes questionem os honorários adicionais requeridos em pericias, quando estas necessitam de pareceres e/ou serviços especializados de engenharia, além dos serviços de inspeção e auditoria técnica rotineiramente prestados pelos peritos habilitados.

Discorrer sobre inspeção, vistoria, auditoria, perícia e consultoria, ferramentas do engenheiro diagnóstico conforme a doutrina apresentada no LIVRO VERMELHO, pode soar como “chover no molhado”, entretanto nossa vivência, percorrendo o país de norte à sul, tem demonstrado que os engenheiros, até mesmo os mais experientes das grandes capitais, desconhecem as diferenças entre as ferramentas diagnósticas e acabam prestando serviços com escopos equivocados, trazendo prejuízos à Sociedade, quando não ao próprio profissional prestador de serviço. Este prejuízo à Sociedade pode também ser elucidado com o exemplo da necessidade de execução de ensaios em elementos estruturais numa ação de perícia  (conforme previamente explanado no parágrafo anterior), por vezes somente vislumbrada no transcorrer da perícia, mas que, tendo em vista os custos não previstos nos honorários do perito, acabam por vezes sendo imprudentemente descartados.

Merece ser destacada a contribuição da Engenharia Diagnóstica para a Engenharia de Produção Nacional, em especial para a Construção Civil, já que através dos ensinamentos das cinco ferramentas diagnósticas (inspeção, vistoria, auditoria, perícia e consultoria), o setor produtivo poderá buscar a QUALIDADE TOTAL nas construções, uma vez que o engenheiro diagnóstico acompanhará o empreendimento desde o seu projeto, até a fase de manutenção predial, conforme ilustrado nos ábacos da engenharia.

 

Cabe igualmente destacar que a Engenharia Diagnóstica além de valorizar o profissional, reduz os custos de manutenção e conservação predial, bem como os entraves para uma solução amigável (sempre a mais barata para as partes), permitindo ao profissional propor honorários conforme o aprofundamento do trabalho a ser desempenhado, o seu grau de especialização e a responsabilidade a ser conferida com a sua assinatura, características das prestações de serviços qualificadas no pódio da Engenharia Diagnóstica.

 

Por fim, resta agradecer aos apoiadores e seguidores da Engenharia Diagnóstica por todo país e também aos colegas e amigos mais críticos que resistem na aceitação desta doutrina Global, nos incentivando diariamente ao aprofundamento da Engenharia Diagnóstica, matéria que certamente já está inserida no meio técnico e que seguramente poderá ser aprimorada através da prática profissional e dos estudos em contínuo desenvolvimento.

Engenheiro Marco Antonio Gullo